Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

A Êmela, minha amiga lá de Santarém, me pediu que escrevesse um relato da minha vida, antes e depois de conhecer Deus. Confesso que fazer isso levaria um bom tempo, algo digno de um livro. Mas tentarei ser o mais breve possível (se é que consigo fazer isso, em se tratando deste assunto). Depois de um tempão, lá vai!

( Primeiramente: a minha Igreja chama-se Jesus Cristo. É nela que faço todos os meus cultos, onde canto meus louvores, onde conheço a Bíblia. Não sigo mais denominações e, ultimamente, adotei o seguinte lema: cultuo Deus onde melhor me sentir. E isso pode ser, inclusive, no banheiro de casa ou no ônibus que me leva ao trabalho. Se alguém me vir andando pela rua, movendo os lábios (e não tiver fones nos ouvidos que possa remeter à cantoria) pode crer que estou conversando alguma coisa com O CARA. Sou plenamente ciente das minhas falhas e fraquezas e não as nego diante de Deus. Ao contrário, me credito sempre menor do que Ele possa enxergar. Dito isso, vamos ao que interessa. 😀 )

A História classifica seu tempo em a.C. e d.C. Já a minha história se divide em conhecer Deus e CONHECER DEUS. A grafia é proposital, pois é desta forma que classifico minha vida. Já são mais de 8 anos que comecei a ter Deus, a vivê-lo e a sentí-lo em mim de uma forma que jamais imaginei que existisse.

Até 2000, achava que O conhecia. Mas era um conhecimento opaco, sem força, combinado com uma fé cambaleante. E olha que cresci aprendendo a falar e conversar com todos os santos, a rezar e a pedir tudo a Deus. Apesar de batizada tardiamente na Igreja Católica, sempre acompanhei missas, catecismos com meu irmão e todo e qualquer tipo de evento na igreja, junto com a família. Se havia vigília nas casas da paróquia, lá estava eu ao lado de mamãe, lendo. Então, Deus não faltava na minha vida, certo?

Minha infância foi ótima. Até os 12 anos sei que era feliz, apesar das dificuldades da família. Cresci numa educação doméstica ferrenha, mas nem por isso deixei de ser peralta. Sempre simpática, ‘despachada’, a garota de todos os eventos da escola, uma das melhores alunas e invejada por isso. Como caçula e do sexo feminino, minhas rédeas nunca foram curtas. Mesmo criança, com todos os prazeres dessa excelente fase, sem saber o porquê (mas o espírito sabia..) sentia vazios. E depois de um tempo entendi essas sensações.

Sempre me senti diferenciada e a partir dos 12 anos, mudei da água pro vinho. De supetão soube os motivos das lacunas que sentia e isso me amadureceu rapidamente. Me fez fria e revoltada também. Depressiva, sempre buscava algo pra me tirar momentaneamente da realidade. Se a adolescência já é uma fase naturalmente complicada, a minha foi um inferno. E um inferno interior. Nada é pior que isso.

Uma auto-estima detonada, um temor de tudo, uma doída ausência de amor, um paredão que criei ao meu redor. Alegrias? Quase nenhuma. Momentos felizes vinham e iam numa mesma onda. Meu mundo era restrito e diversas vezes me indagava sobre os motivos que afastavam dos vícios da vida. Conhecia tanta gente na época de colégio que por muito menos se drogava, vivia com bebida escondida nas mochilas. Sem contar que na vizinhança da minha antiga casa pipocavam vendas de drogas. Não sabia que era Deus agindo sem meu conhecimento.

Fora a sombra de um passado me cobrando responsabilidades que não me pertenciam, muita coisa contribuiu para que eu quase não tivesse “vida normal’ dos 12 aos 18 anos. Não é exagero dizer que tenho poucas fotos desta fase. Talvez caibam numa mão, se eu for catar com afinco pelos álbuns que mamãe guarda. Se criança, feliz, já me achava um ser diferente, imagina nesse tempo: me sentia um verdadeiro ET. E nessa mesma época, apesar de me considerar alguém de fé, sei que estava cada vez mais afastada de Deus. Não o conhecia, era a verdade.

Minha história começou a mudar em 1999. Depois de anos e anos tentando driblar a depressão e após um relacionamento amoroso traumático, me vi querendo morrer. Confesso que até hoje doi esta lembrança. Sim, um dia que quis morrer, pedia isso nos pensamentos e acredito que Deus usou os instrumentos certos para que não fizesse isso. Sempre foi difícil me sentir amada. Só amei quando criança, depois perdi esse sentido. Me amar era algo que não existia em meu vocabulário. Tudo, como bola de neve, me fez pensar em parar de existir. E foi assim que encontrei Deus.

Não foi através de religião, nem através de denominações, muito menos porque A, B ou C me forçou. Conheci Deus porque Ele me cercou de todas as formas com seu amor. Nunca, seja o tempo que for, me esquecerei o modo como Ele preparou os caminhos até meu coração. Ele não precisaria perder seu tempo comigo, afinal quem de nós precisa mais: Eu ou Ele? Lógico, eu preciso mais. E mesmo assim Ele lutou por mim.

Por tudo isso, jamais digo que não sou amada. Sou muito amada e este amor é que significa Deus para mim. Não era pra eu nascer e aqui estou. Tive uma doença que nenhum pediatra diagnosticava, mas Deus usou um farmacêutico pra receitar um remédio caseiro.. e aqui estou. Caí, bati cabeça, criou nódulo.. que sumiu, fui curada e aqui estou. Fui atropelada, mas Deus amorteceu minha queda.. e aqui estou. Fui rejeitada, mas Deus disse que tinha algo muito melhor para mim e me pôs nos braços dos meus pais. Sempre esperta, inteligente, sagaz, vendo mais que os olhos, sentindo além do que podia compreender, tudo presente de Deus para me guiar. Demorei 21 anos pra me entender como Deus me enxergava. Só Ele sabe as profundezas que meu espírito caiu e, se não fui mais longe nas quedas, foi Ele que me segurou muito, muito forte, confundiu os inimigos diante de mim.

No dia que me senti amada, quase pude ouvir a voz dEle. Ao fechar os olhos, posso lembrar da sensação de ser colocada no colo, de ter os pesos retirados dos ombros, do coração sendo fortalecido, das palavras me dizendo que não eram aquelas coisas que Ele havia preparado pra mim, que eu precisava abrir os olhos e enxergar em sintonia com Ele. Nasci de novo e me senti verdadeiramente protegida. Isso é singular: experimentar Deus. E desde então venho me reerguendo, aprendendo, sendo e estando cada dia melhor. Tenho sonhos tão modestos e Ele tem os melhores pra me oferecer. A mim cabe a escolha. Seja ela qual for, sei de onde vem minha força.

Ninguém pode viver em Deus por mim, nem saber o que é isso se não quiser experimentar e conhecer, de coração aberto. Mas posso afirmar que de todas as verdades que existem em mim, essa é a maior: Não existo sem o Amor de Deus. Credito todas as vitórias, grandes ou pequenas, de ontem, hoje e de amanhã a Ele. Da boca do Senhor nunca ouvi que eu não enfrentaria mais batalhas reais ou espirituais, mas ouvi, sim, que Ele está e estará comigo aonde for. Não é fácil, nunca será, mas Ele não me fez derrotada. Minha fé não é hipócrita e nem massacra, não aponta o dedo na cara e nem me faz soberba, não me faz menos humana e nem engana, ela vive no meu coração e está aí pra quem quiser ver. Pra mim, Deus é o toque suave e doce no meio da escuridão. Amor maior, Luz da minha vida: isso é que me basta e salva. Love U, YESHUA! 😀

Um comentário sobre “Antes e depois de Cristo na minha vida

  1. ANTÔNIO RONILSON NUNES OLIVEIRA disse:

    Olá, querida irmã em Cristo, não fomos nós que o escolhemos, e, sim Ele nos escolheu, e pela sua misericórdia, que é para sempre.
    A minha história de vida não é muito diferente da sua, em fim, antes de Cristo, era só lixo; depois de Cristo é só luxo, só Ele pra’ nos tirar do lamaçal do pecado para a sua gloriosa luz.Jeremias 29: 11 Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.

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