Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

*Enquanto ia ao trabalho, uma música tocava no rádio e bem fundo nas minhas emoções…

Pra ser sincero não espero de você mais do que educação..

Mamãe já me ensinou (e continua ensinando) muita coisa na vida. Muitas dessas coisas, se não faço, se não tomo como exemplo, é porque não quero, não me esforço, não considero (e, logicamente, costumo dar com os burros n’água por não levar em conta o que sei..). Mas o aprendizado, o ensinamento dado, tudo está em algum lugar aqui dentro.

Porém, HOJE, ressinto de algo que não aprendi: mamãe não me ensinou a ser egoísta. Ela não me ensinou a olhar para meu umbigo, a não ligar para os outros. Em nenhum momento do meu crescimento recordo dela dizendo pra não respeitar os limites alheios, pra passar como rolo compressor sobre os sentimentos, sonhos, sobre algo qualquer, importante ou não, que me fosse dito por alguém, mesomo que aquilo não me afetasse em nada.

Não fui ensinada a ser individualista, egocêntrica, nem a pra rir da desgraça, dos problemas, das fraquezas alheias. Mamãe não me ensinou a cutucar a dor dos outros. Não mesmo.

Não a culpo, porque, afinal, ela não sabe ser assim. Ela não me criou pra ser seca, ríspida, desumana, prepotente. E olha que muitas (MUITAS) das lágrimas que já derramei nessa vida foram por palavras proferidas por ela. E também não a culpo, porque, assim como eu tenho aprendido, em algum momento ela teve que aprender a gritar mais alto do que gritavam. Teve que aprender a ser menos submissa, menos banana.

Bananas. É.. nós somos duas bananas, sim. Infelizmente, mamãe também esqueceu de me ensinou a não chorar, a não me afetar pela ignorância alheia, nem a evitar que alfinetadas humilhantes gritem com os meus sentimentos, esmaguem o coração. Nenhuma de nós consegue controlar lágrimas teimosas, lágrimas que os outros facilmente arrancam da gente. Toda vez que vejo mamãe ressentida com algo, sofro junto porque sei exatamente (na mesma intensidade) o que ela sente. Não só por ser minha mãe, mas por sermos idênticas nesse sentido.

E, assim como minha mãe, estou aprendendo com a vida. Ela me ofereceu e incultou no meu jeito de ser o melhor que ela tem: humana, gentil, educada, sensível, amorosa, solidária, companheira. Mas assim como ela deve ter descoberto um dia, hoje vejo que não dá pra ser ‘bom coração’ nesse mundo. Em algum momento precisamos endurecer o que temos de mais frágil, senão somos tragadas.

Há três dias que tenho repensado muita coisa. Alias, minha vida é rever os meus caminhos e propósitos. E vejo que na minha vida, de uma forma ou de outra, sempre deparo com algum ser bruto, de coração fechado, sem emoções, sem nada.

De casa pro trabalho (hoje), vim chorando todo o trajeto. Porquê? Sei lá. Talvez por ser uma idiota? Deve ser. Ou será porque, muitas vezes, não consigo me conformar em ter que mudar e agir no mesmo tom que agem comigo? Também por isso. Na verdade, vinha chorando porque, mais uma vez (de, certamente, mais um punhado de vezes), quando mais preciso de uma (só UMA) palavra de apoio, só encontro esculacho. E gratuito.

Desse jeito, não dá pra esquecer que sou uma banana, já que toda a fortaleza que crio ao meu redor desaba. E, além de tudo, bananas sofrem por tudo. Sofrem por si e sofrem pelos outros. Sofrem, principalmente, por não se encaixarem em nada, por não serem convencionais, por não serem racionais. Por serem intensas e extremas, por serem 8 ou 80. Por serem incompreendidas, sempe

E minha mãe não me ensinou e nem me criou pra ser diferente disso.

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