Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

Não estou triste. Mas saudosa, sim. É inevitável também.

Há 10 anos atrás , num dia como hoje – nublado e chuvoso -, mesma data, num fim-de-semana, partiu daqui minha irmã de alma, minha querida Patrícia.

Não quero ficar lembrando dos detalhes daquele dia. Só sei que não foi pior do que a perda do meu pai. Mas a dor de ver partir, o sentimento de impotência, o não querer acreditar no que acontecia, tudo muito semelhante.

Procuro não alimentar remorsos pela vida, mas tenho que confessar um bem grande: não ter atendido aos vários pedidos de visita da minha amiga. Quando a vi imóvel naquele dia, tudo o que me corroía por dentro eram os pedidos dela nos meses anteriores.

“Amiga, quando é que você vem me visitar?”.. “meu álbum de formatura tá pronto, vem aqui pra eu te mostrar como estão lindas as fotos”… “Menina, a gente não vai assistir Titanic não?”.. “Poxa, amiga, tô com saudades, desde dezembro não te vejo.”

Sim, lembro com detalhes. Aliás, era como se estas palavras fossem gritadas no meu ouvido naquele dia em que ela se foi. Chorei desesperadamente triste porque não tinha atendido aos pedidos dela. Seria uma despedida? Como saber, né? Só lembro de ter desabado quando cheguei em casa.

Minha amiga era como irmã. Nos tratávamos assim. Éramos confidentes e com ela aprendi que amigo de verdade é aquele que ralha mesmo, se acha que tem algo errado. Que prefere correr o risco de perder a amizade, mas não deixa de dizer o que pensa. Quando a conheci eu era toda melindrosa com a opinião alheia, detestava gente se metendo na minha vida. Mas a Paty era um ser muito especial mesmo. Era difícil alguém não gostar dela.

Chegamos a gostar do mesmo menino, rss. Foi incrível o fato de eu não tê-la odiado quando me revelou gostar também do rapaz. Até porque não dava pra nutrir esse sentimento pela Paty. Nós éramos de ajudar a resolver briga dos outros amigos, porque não iríamos saber nos acertar?

Um dia – e até hoje recordo disso -, quando estávamos no pátio do colégio esperando a hora do hino, do nada ela mandou: “No dia em que eu casar, quero que você seja minha madrinha. E eu serei a tua. E meus filhos serão amigos dos teus.“. Disse tudo isso e me deu um sorriso. Fiquei tão comovida com aquilo.

E hoje lá se vão 10 anos de saudade. Um tempo em que eu cresci, alcancei objetivos, conheci pessoas, ganhei uma outra amiga-irmã, tenho grandes amigos, mas jamais esqueço da Patrícia. Todo dia 08 de Março lembro dela e reforço a lição que ficou com sua perda: Nunca mais deixo de dizer que gosto, que amo, o quão importante é alguém pra mim.

Acho que não disse o suficiente para ela. Mas o importante é que ela mora no meu coração para sempre.

Esteja na paz, Paty! :*

Um comentário sobre “10 anos…

  1. Emela disse:

    Ai amiga…
    Eh tão dificil a perda neh?
    mas a minha certeza eh de que Deus cuida dos nossos…
    beijos

    Curtir

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