Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

Título bonito esse né? Fiquei lembrando disso, agorinha, após ver a lista de classificados do MP/AM. Foi uma derrota, digamos, muito feia, mas que já aguardava. Por ‘enes’ motivos esse concurso foi um dos piores da minha vida, em todos os sentidos possíveis.

Estava tentando lembrar qual teria sido minha primeira grande derrota – em tudo aquilo que envolve correr atrás dos objetivos de vida. Lembrei que foi ainda na faculdade, 3º período, quando a professora de IDPP me reprovou SÓ porque eu (como mais da metade da turma) não havia comprado seu livro. Não acreditava no que meus olhos viam, na cara dura ela passou por cima da minha assiduidade, das minhas notas de exercícios, apresentações e provas. A derrota ficou por conta de que nada poderia ser feito contra ela, pois não tínhamos provas (nossa palavra não bastava) e ela era professora cedida da Faculdade de Direito. Pra atingí-la só entrando com processo diante da FD, mas nosso diretor de Administração foi taxativo: ‘é perda de tempo.’.

Chorei muuuuuito. Estava lutando contra uma desperiodização maior e vi toda a minha luta, todos os trabalhos (pior foi isso: fazia trabalho pelos meus amigos, tínhamos as mesmas notas e eles passaram. Eu fiquei.), todos os meus esforços não valerem de nada. Foi chocante e, na época, por causa do trabalho não tive meios de adiantar matéria e lá se foram mais atrasos.

Nessa mesma época eu aprendia o que é cair. Mas não ficar prostrada. Derrota é algo que traz lágrimas, porém me oferece um tantão de ensinamentos.

Este concurso do MP me ensinou, principalmente, que não adianta ter apenas conhecimentos. Se você não estiver com a mente tranquila e com paz necessária, a tendência é dar tudo errado. Outro ensinamento? Não adianta ir além dos limites. O corpo vai padecer e o resultado pode ser desastroso. Mais um ensinamento: acreditar em si é primordial, mas dar ouvidos à torcida do contra é simplesmente minar o seu caminho.

Final do ano passado, que culminou com a preparação pra esse concurso, foi massante para mim. Fui assaltada pela gastrite nervosa, pelo estresse emocional, não soube separar que palavras seriam melhores de ser ouvidas para adubar o terreno da minha confiança, aceitei responsabilidades excessivas, não me preservei de perder mais tempo que o necessário e etc.

Sei que tudo isso soaria como desculpa esfarrapada. Mas senti todos os reflexos no corpo (sim, doença é sinal de que tudo vai mal no emocional). A coluna quase não me deixava dormir, pela primeira vez tive crises de enxaqueca e a garganta simplesmente fechou. Comer? Não descia absolutamente nada. E acredite se quiser: fui fazer a prova de 3:30 de duração, apenas com um copo de café e uma tapioca que havia ingerido lá pelas 8h da manhã. Porque quis? Absolutamente! Meus nervos não me deixaram ingerir nada mais que água.

Foi tudo muito horrível. Era pra estar arrasadíssima com a péssima colocação que não tenho desde 2004 num concurso. Mas só em ver meu nome na lista de classificados – em outra palavras, não-eliminado – fico contente.

Peraí… Contente?!

Sim, CONTENTE. Só eu sei o que passei do dia 18/12 até o dia 20/01. Meus amigos mais de perto sabem do meu sofrimento. Quantas vezes lendo direito constitucional ou regimento interno, eu não parei pra chorar? Nem sei. Quase entrei em colapso, pra falar a verdade. E já fui derrotada fazer a prova (justo naquele dia mamãe resolve fazer uma DR sobre meus irmãos, passando pelo assunto da morte do meu pai, o que me deixou ainda mais em frangalhos.)

Agora, visualizando minha atual situação: São 4 concursos pela frente. Um para Março e TRÊS pra Abril. Nestes últimos, todos, concorrendo pra nível superior, sendo que um deles é AQUELE que possui tudo que mais desejo, atualmente, em minha vida. Só não é mais sonho que o cargo de Auditoria da Receita Federal (mas isso são outros quinhentos, deixa quieto).

Pergunta: estou morrendo como da outra vez?

Não. 😉
Como eu falei, aprendo com todas as quedas que levo. Tudo que passei nessa época foi pra aprendizado. Acredito que foi uma espécie de preparação para os próximos combates. E não vou desistir jamais do que quero. Jamais.

È mais ou menos como minha querida Ednéia disse certa vez: “O vitorioso é aquele que não desistiu na primeira derrota e aprendeu com ela”. Tão bonito e verdadeiro que me chamou pra vida, certa vez, e não mais esqueci a lição.

Me permito perder. O que não me permito é deixar as vitórias passarem. No mismo

Um comentário sobre “Após a queda, o segredo é levantar-se.

  1. PC disse:

    Estou indigando com essa professora que te reprovou. Sou aluno do 9º perído de direito da Ufam e, pelo sua descrição, trata-se da prof. Kátia Cruz. Eu tive aula de direito comercial com ela e conseguimos abrir um processo de sindicância contra a mesma há um ano atrás. Ela foi afastada da FD, só dá aula de IDPP no ICHL. Ela não teve a audácia de obrigar-nos a comprar o livro dela, que é de péssima qualidade. Acho que vc deveria ter ido reclamar com o diretor da FD, ele está sempre a favor do aluno.
    Em relação aos concursos, boa sorte. Eu também sou concurseiro, mas já tô parado há um bom tempo. Trabalho no TJ e meu objetivo há curto prazo é passar em um concurso de nível superior, na área de direito, que não tenha atividade jurídica com pré-requisito. Ah, vou fazer o TCE/AM. Meu e-mail está aí pra gente trocar experiências, dicas e apostilas sobre concuros.

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