Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

Cada vez que ele move os braços, trazendo em direção ao corpo, comemorando seja lá com que gesto for, é isso que está gritando: ¡ TOMAAA !

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Sou brasileira, sim. Total patriota. Mas torço pelo Fernando Alonso sem medo de ser feliz. Não ligo pra críticas que exaltam a tal falta de patriotismo. Tenho culpa se não existe um brasileiro que vingue na F1?

Mas não é por isso que me divido com Espanha. Não é só porque os brasileiros inexistem na F1. Torço pelo Fernando Alonso desde o dia que ele me fez sentar em frente a TV, durante o GP da Europa de 2005, ao ouvir meu irmão dizer: olhaí, tem um cara na frente do Schumacher.

Na frente do Schumacher?, pensei. Naquela altura do campeonato fazia mais de 10 anos que não acompanhava F1. A F1 tinha acabado no dia que vi o Senna imóvel no seu Williams. Não tinha mais cor. Ainda via os noticiários, mas me indignava ao ver a falta de competitividade que permitia àquele alemão superar todos os recordes do Senna e chegar, facilmente, aos seus ‘exaltados’ 7 títulos mundiais. Pior que isso: enojada por ver um brasileiro, que tinha tudo pra fazer as honras do Brasil, se deixar passar trás. Ultrajante. Sim, não gosto do piloto que foi Schumacher ‘who’.

Ao ver aquele cara do carro azul, não acreditei muito. Mas gravei o nome dele: Alonso. Então passou o tempo e veio a semana do GP do Brasil. Todo e qualquer jornal esportivo da TV e todos os noticiários da internet frisavam: ‘Alonso pode ganhar garantir seu primeiro campeonato por antecipação’. Lembro perfeitamente que foi no UOL que li, pela primeira vez, algo sobre ele e suas estatísticas daquela temporada. A matéria dizia que qualquer que fosse sua pontuação no Brasil, ele não podia mais ser alcançado. E ainda faltavam China e Japão. Achei simplesmente espetacular! Há anos nenhum outro nome se sobressaia na F1.

Mas o cara do carro azul veio bater de frente com o alemão. A competitividade que tinha ficado adormecido naquele 01 de maio de 1994 estava renascendo aos meus olhos. E fui atrás de saber TUDO (o que era possível) sobre Fernando Alonso Díaz. Descobri, por exemplo, que seu pai apostava mais na irmã mais velha para ser piloto que nele. Porém, com 3 anos, ele tomou conta do kart que era da irmã e seu pai não teve dúvidas: seu filho tinha um talento nato. E ele atravessava a Espanha, juntava economias com a esposa, corria atrás de agenciadores para ajudar o filho precoce, passava mais tempo longe da família, na estrada, levando Fernando Alonso para disputar os campeonatos de kart. Até que a estrela brilhante do menino chamou a atenção de um importador de karts, que passou a agenciá-lo. E o menino vivia entre Espanha e Itália, crescendo nas estradas da Europa, crescendo no seu próprio talento. Foi vencedor, primeiro colocado, em todas as categorias que disputou. E aos 19 anos foi contratado pela Minardi.

Li tudo que pude de sua biografia, vi imagens e videos, além de me informar sobre GP por GP de 2005. E não me enganei: enfim, surgiu um piloto de verdade na F-1.

O GP do Brasil de 2005 foi o primeiro que vi, por completo, em 10 anos. E eu fiquei feliz porque um espanhol tinha conseguido, aos 24 anos, seu primeiro campeonato mundial. Seu país vibrava, nas ruas, pelos feitos dele. Daí em diante o adotei como meu favorito.

Hoje, bi-campeão mundial (dois títulos que aposentaram o Schumacher, diga-se de passagem..), correndo pela Mclaren, eu continuo torcendo. Torço mesmo. De mandar o Galvão pros infernos (ahh, também detesto o Galvão. Pena que ele não pegou o mesmo bonde do alemão..), de vibrar com as vitórias dele, de ficar esperando o GP do Brasil pra ouví-lo berrando, comemorando o Tri.

A foto é de Monza. Onde todos diziam que a Mclata seria facilmente batida pela Ferrari. No entanto, quem mandou naquele circuito foi esse espanhol de capacete prata. Sob pressão da FIA, sob os problemas que a Mclaren lhe ofereceu, sob a enxurrada de notícias a rola pela imprensa mundial, sob o eterno descrédito que lhe oferecem. As pessoas não entendem que vencedores e sortudos só perdem pra eles mesmos (ou quando precisa dividir seus acertos com o rival..).

E ainda tem o Conselho Mundial da FIA, GP da Bélgica, GP da China, GP do Japão e o caneco de tri-campeão no GP do Brasil.

Só isso! 😀

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