Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

Textinho interessante. Próprio para o momento.

Desrespeite seu chefe, sim!
(Matéria publicada na revista Você SA, Julho 2005)

Pode acreditar. Saber questionar seu superior (mesmo publicamente) é uma qualidade em alta nas melhores empresas

Por José Eduardo Costa

O empresário e dentista Randal Zannetti, presidente da Odontoprev, reuniu seus executivos para falar da empresa há três meses. A rotina do encontro foi quebrada quando a gerente de marketing, Laura Snitovski, de 35 anos, pediu a palavra. Para o espanto de uma consultora externa presente ao encontro, Laura contestou Randal. Diante disso, o que você acha que aconteceu:


a) Randal fez cara feia e não deu ouvidos a Laura
b) O chefe direto dela reclamou
c) Depois da ousadia, Laura foi demitida
d) Nenhuma das respostas anteriores

Como Laura tinha razão e soube apresentar seus argumentos com clareza e respeito, acertou quem escolheu a letra d. Na Odontoprev, empresa de planos odontológicos, discordar não é insubordinação. “Essa liberdade de opinião foi um dos motivos para eu ter vindo trabalhar aqui”, diz ela. “Somos reconhecidas pela expertise e não pela posição.” Fatos como esse, pouco a pouco, se repetem nas organizações. É o que vem sendo chamado de desrespeito saudável pelo professor francês Manfred Kets de Vries, de 62 anos, diretor do Centro de Liderança da escola de negócios Insead, em Fontainebleau. “Muitos líderes não percebem que cabe a eles criar uma atmosfera em que o subordinado sinta-se à vontade para se comunicar”, diz. “Depois reclamam que não recebem feedback.”

O professor explica que, ao reprimir a opinião da equipe, o chefe cria uma bolha que atrapalha sua visão do negócio e dificulta a tomada de decisão. “O líder deve se esforçar para que as pessoas possam falar o que pensam”, diz. Segundo ele, há uma tendência de as pessoas replicarem, à medida que galgam cargos na empresa, comportamentos que viram em seus chefes do passado. “Isso faz com que muitos executivos vivam num mundo de espelhos. Ele passa a ver e ouvir somente o que quer”, explica. Por isso, quando alguém tenta apontar algo diferente, o chefe se sente contrariado. “Nessa hora, muitos optam por fritar o funcionário”, diz o professor.

Nesses casos, o que acontece no dia-a-dia é que ninguém discorda do chefe. Muitos até mentem, ou omitem a própria opinião, para evitar o confronto. Outro comportamento corriqueiro, diz o professor, é a equipe assumir uma postura que o megaexecutivo americano Jack Welch (ex-CEO da General Eletric) chamava de “amabilidade superficial”. As pessoas tornam-se agradáveis na superfície, mas cheias de desconfiança e hostilidade no fundo. O resultado é um ambiente de trabalho que mais parece uma masmorra: frio e inóspito.

Naturalmente, você sabe que o modelo tradicional do chefe durão e intolerante não está sepultado. Até mesmo os mais abertos são sensíveis a comentários mais salgados. Recentemente, um diretor brasileiro da Owens Corning, multinacional americana especializada na fabricação de fibra de vidro, pleiteava um cargo de liderança na matriz. Ele foi barrado na última etapa do processo por ter dito, durante a entrevista com um americano, que não estava indo para os Estados Unidos para ser um aprendiz, mas para ensinar o que tinha feito com êxito no Brasil. O comentário com ar arrogante veio quando as partes já negociavam o salário. O diretor não foi demitido tampouco foi transferido para os Estados Unidos. Foi mantido na posição que tinha aqui. Podia ter sido pior. Empty Picture Box

LIBERDADE DE OPINIÃO
1. USE O SEU PICADEIRO
O ambiente de trabalho é uma vitrine. Por isso, quanto mais abertura você der para as pessoas, mais elas se sentirão seguras para falar o que pensam. Isso aumenta a confiança em quem pensa diferente de você.
2. REAJA COM TRANQÜILIDADE
É fundamental ouvir com serenidade os comentários dos funcionários. Dependendo da reação do líder, os profissionais se sentirão estimulados ou reprimidos para falar com sinceridade nas reuniões de trabalho.
3. RECONHEÇA A EXPERTISE DAS PESSOAS
Levar em conta a opinião profissional dos outros na hora de tomar uma decisão mostra como você é aberto às idéias da equipe. Afinal, todas as pessoas podem somar ao resultado final.
4. APROXIME A EQUIPE
Faça com que as pessoas se sintam confortáveis na sua presença. Como? Ande pela empresa ou deixe a porta da sala aberta. Quanto mais contato, melhor.

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