Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

Tentando elaborar um parecer importantíssimo pra amanhã. Mas ainda que me force a fixá-las, não são as leis que me vêm à mente.

Minha memória divaga lá pra primeira vez que conversamos por telefone. Ele descobriu meu número de celular e aproveitou que eu tinha faltado ao trabalho por conta de exame e ligou para saber como estava. Estranhei. “Logo ele me ligando?“, pensei. E depois disso foram horas e horas de papo, brotando assunto de tudo quanto é lugar. Fluía tão naturalmente e meu “enjôo” com o jeito dele foi passando.

Ele sempre foi minha curiosidade. Contei isso depois de um tempinho. Ele ria da minha idiotice de procurar o nome “daquele cara que sempre estava à frente do meu nas listas dos concursos“. E quando o vi pela primeira vez? Foi de costas. Ele estava de blusa preta, calça jeans, tênis e com a famosa lancheirinha cinza nas mãos.

Fará 10 anos que ouvi a risada dele, que vi sua face, seu sorriso (que me quebra até hoje) pela primeira vez. A chefe entrou no setor e eu ouvi “pessoal, esses são os servidores que ficarão agora no …. blábláblá… Jairo….. blábláblá e o Alan, que vem da Proplan para nos ajudar no concurso“. Não lembro de quase mais nada do que ela falou, só sei que eu pensava “É eleeee, o cara que sempre fica na minha frente“, “mas será que é ele mesmo?“, “caramba, que sorriso bonito o peste tem!“, “e esse anel no dedo… vixi, é comprometido“, “esquece!“. Simpático, disposto, FALAVA PELOS COTOVELOS, sentou do meu lado e parecia uma metralhadora de perguntas. E o que eu – discreta como sempre – não sabia é que naquele momento o amor da minha vida ganhava forma, som, cor.

Era pra eu ter perdido ele lá atrás. Quando o conheci, estava tão fragmentada por dentro. Não queria saber de mais ninguém, pela meu recorrente azar com os homens. Decidi me fechar e sem prazo para reabertura, mas ele martelou, martelou e conseguiu ir quebrando a pedra que eu era. Pela primeira vez alguém não desistia de tentar me alcançar.

Vanusa, de zero a 100%, quanto representa o sexo pra ti, num relacionamento“, “Hum… digamos que 40%..“, “Só isso?“, “Porque? Pra ti representa quanto?“, “Pra mim é 70%“, “Nossa!!“, “Mas porque pra ti é tão baixo?“, “Mas não é baixo, não. Apenas estou atribuindo medidas reais ao que realmente acredito valer a pena. Sexo é gostoso, mas ele sozinho não sustenta um relacionamento“, “E o que é mais importante pra ti?“, “Ahhh… não tem algo mais importante. Tem um somatório de coisas: respeito, companheirismo, carinho, admiração. Acho que se eu não admirar a pessoa já tem meio caminho perdido..“, “Então, o que é o amor pra ti?“, “Então, o amor pra mim é tudo isso que acabei de te falar“. E quando ele ficou calado, enquanto caminhávamos pra pegar o ônibus, com uma ou outra sílaba faltando ou sobrando, percebi que tínhamos acabado de definir o que era o amor para nós.

E não é que o cara que estava sempre estava à minha frente nas listas dos concursos tinha uma sedução camuflada atrás dos seus óculos? Mas só percebi no dia em que ele, cavalheiro como sempre, se escalou para me acompanhar ao Porão. Nunca vou esquecer da luz da lanchonete fazendo aqueles olhos castanhos brilharem,  o quanto um dos olhinhos dele se fechava enquanto conversava encarando, sedutor, falando sobre um assunto que nem lembro, pois só conseguia pensar “beijo ou não beijo? beijo ou não beijo?…“. Não beijei por puro medo, mas deitei naquele colo e tive meus cabelos beijados pelos cafunés da mão dele.

Quando ele tentava me ensinar forró o primeiro beijo saiu. Logo eu, escorpiana que detesta passar vontade, fui naquele Cancún só pra saber se aquela boca beijava tão bem quanto na minha imaginação. Logo em seguida, quase o perco por uma palavra mal colocada – daquelas que a gente não percebe que não explicou direito.

Aquele foi meu primeiro fim de semana atordoante. Tão atordoante quanto estes meus dias de Maio. Lá atrás, não descansei enquanto ele não me ouviu e esclareci o que quis dizer. E ele entendeu e quis vir pra minha vida, quis receber e me dar amor por longos 09 anos. Agora, nessa luta mental entre a saudade e o que é preciso ser feito, no vai e vêm das memórias, nos caminhos confusos dentro de mim, a sombra da ausência dele hoje é a morada do meu coração.

Van.

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Tá um vazio aqui dentro e, ao mesmo tempo, uma ausência que pesa, ocupando tudo. Redemoinhos que chegaram e me deixaram assim, sem um norte.

É um engolir à seco cada vez que a saudade chega e me aperta, avassaladora, por dentro. As lágrimas vem e enchem as bordas dos olhos, nem sei como tenho conseguido disfarçá-las.

Não devia estar me sentindo assim. Não devia. Fiz tudo o que meu coração, minha mente, meu afeto pediram. Não neguei nada e fui só, somente só, amor. Tentei, lutei, reconheci erros, me desculpei, corri atrás de melhorias, cresci, me reinventei. Mas não deu, não foi suficiente. Que imensa é esta dor!

O que será que aconteceu? O tempo? A rotina? Alguma inércia? O que eu fiz? O que eu não fiz? O que faltou? Ahhh, quantas perguntas borbulham! E deve ser por isso que, quando a mente começa a ficar muito barulhenta, coloco um som bem alto nos ouvidos, pra desviar as ideias. Ou pra organizá-las. Ou para que jorrem pelos olhos.

Sinto que nos amamos ainda, num elo que não é daqui desse mundo, dessa vida. Que somos uma dupla (e tanto!) e que essa parceria nunca foi do acaso. Talvez justo por isso meu maior medo é que nos percamos nessas buscas pelo desconhecido, nessa grande loteria que surge do desistir.

“Tem tanto amor dentro de mim por você!” E, de repente, não sei o que posso fazer com isso. Esconder? Sufocar? Ignorar? Não tenho ideia de como fazer, porque simplesmente não consigo. Talvez se houvesse raiva fosse fácil agir e encontrar uma saída. Mas nem mágoas tenho: é só muita tristeza.

O carinho, o respeito, o afeto, a admiração, o desejo permanecem. Mas prometi, dei minha palavra: vou respeitar. E ainda que precise cortar meu coração em vários pedaços, vou cumprir. Se fosse diferente disso, nunca seria verdadeiro o amor que tenho sentido e demonstrado até aqui.

Ele preferiu buscar outros rumos, outros caminhos, outros laços e a mim só coube aceitar. Apesar de empurrada nesse caminho que não procurei, vou continuar. Preciso continuar. Mesmo sozinha. Com todo amor que posso ter em mim, desejando que possamos ser felizes.

Mas, se em algum instante de descuido, nossos caminhos penderem pra mesma direção novamente, desejo apenas que a vida, o tempo e Deus possam ser, novamente, maravilhosos conosco.

Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul

 

CI2RMV5WIAQSR7qDizem que o mês de agosto é o dos bichos peçonhentos, daqueles que picam, ferem, imobilizam a vítima e, às vezes, até envenenam quando não a querem mais.

Não sei se existe fundamento, mas a verdade é que há alguns ‘agostos’ tenho sido continuamente picada por um bichinho em forma de balança e apesar de, ironicamente, possuir um ferrão não é daqui que sai o veneno dominante dessa relação.

Ele sim. Ele sempre surpreendendo. Jantarzinho. Dancinha. 50 tons de cinza. Aquela dor gostosa. A falta de visão curiosa. O querer tocar e não poder. O nosso bailar de corpos.

Assim como há 09 anos, a comemoração foi cheia de amor, de calor, de ardor, de querer, de prazer, de liberdade, de verdade. E, cá com meus botões desabotoados, só consigo pensar: ainda bem que certas coisas (nunca) mudam. ❤

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A folhinha virou. Pela nona vez é 29 de agosto. Aqui dentro, as memórias desse tempo todo, daquelas que nenhum manual poderia instruir, rebobinam-se em replay. É significativo que as bodas de namoro sejam as Orquídeas, cujos galhos suaves até envergam, parecendo que vão quebrar, mas voltam fortes e exalando ainda mais perfume.

Apesar de muito querer e buscar fazer valer a pena, nunca imaginei que iríamos tão longe assim. Mas deve ser porque optei viver dia após dia desta caminhada, contemplando cada percurso, enxergando cada curva dessa história que ele veio viver e escrever junto comigo, desenvolvendo algo que não sei explicar, mas que está aí para quem queira se inspirar. Longe de sermos perfeitos: escrevemos o nosso livro de amor com os enredos que somente nós poderíamos compreender.

Continuamos diferentes, sim, sendo complementos, estando entre as apostas um do outro. Ele continua sendo meu maior teste, meu maior desafio, minhas engolidas em seco, meu orgulho, minhas verdades na lata, meu sono tranquilo (e, às vezes, a insônia atrevida também). E eu, por duas vezes, tive que me reconhecer uma aprendiz para depois entender que, na verdade, sou uma lagarta tentando ser borboleta no jardim desafiador da vida.

Há nove anos ele é a minha curiosidade transformada em ossos, músculos, sorriso, toques, ousadias e fantasias. Em batalhas, vitórias, crescimento, experiências e na reciprocidade que tanto buscamos. E se um dia acreditei que não seria capaz de sentir tanto amor, hoje sei que realmente não sei do quanto ainda cabe aqui no peito. Sabe quando parece que está perto do esgotamento? Então, aí é que a coisa expande!

Te amo!

retorno

Anos depois… a imagem é autoexplicativa.
Afinal, você lembra que tem um blog e começa a se rememorar.
Mas o que me trouxe aqui, mesmo, é a necessidade de escrever sobre aquilo que, às vezes, pesa demasiadamente (ou não pesa nada, mas assim mesmo o serumaninho quer botar pra fora, rs).
E quanta coisa mudou…
Let’s write!

Gente, o que foi aquele show do Sir Paul Mccartney transmitido pela Globo? Uma emoção indescritível! Não tem preço ouvir um Beatle cantar.. Beatles. Chorei, o coração queria soltar pela boca, afinal tenho déjàvus com as músicas dos besouros since 1993, rsrs. E o que era o Morumbi uníssono em Yesterday? Live and let die tá em randômico aqui na minha mente. UH!

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